A obra é dirigida pelo nepalês Abinash Bikram Shah e marca presença brasileira em uma das principais vitrines do cinema mundial
O longa-metragem ELEFANTES NA NÉVOA acaba de ser anunciado oficialmente para o Festival de Cannes, onde fará sua estreia mundial na mostra Un Certain Regard.
A obra é uma coprodução entre Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega, e conta com a participação de importantes produtoras do audiovisual brasileiro, como a Bubbles Project, responsável por títulos como Malu e O Riso e a Faca, e a Enquadramento Produções, que assina obras como Los Silencios e A Febre. A seleção do longa reforça a potência do cinema brasileiro e o valor das coproduções internacionais, evidenciando, em um dos mais importantes eventos do mundo, como a troca criativa e técnica entre diferentes países contribui para o fortalecimento de cada projeto.
Ambientado em um vilarejo no Nepal, à beira de uma floresta habitada por elefantes selvagens, o filme acompanha Pirati, líder de uma comunidade Kinnar, que vê sua vida abalada após o desaparecimento de uma de suas filhas. A partir deste evento, a narrativa se desenvolve como uma investigação, atravessada por conflitos íntimos e sociais.
“Em sua essência, o filme está enraizado nas realidades vividas pela comunidade Kinnar, pessoas que, embora empurradas para as margens, constroem famílias escolhidas resilientes e profundamente significativas. Fui atraído pela densidade emocional desses vínculos, pela forma como o parentesco é construído e sustentado muito além dos laços biológicos e das convenções sociais. Ainda assim, essas vidas permanecem em um constante e frágil cabo de guerra com uma sociedade dominante que exige conformidade.
Ao trabalhar com um elenco que inclui atrizes da própria comunidade, encontramos uma verdade que eu não quis simplificar: uma verdade que fala de uma busca universal e profundamente humana por dignidade”, declara o diretor Abinash Bikram Shah.
ELEFANTES NA NÉVOA é o primeiro longa-metragem do cineasta e integra a seleção oficial do Un Certain Regard, dedicado a novas vozes e propostas autorais do cinema contemporâneo. O diretor teve seu curta-metragem “Lori” premiado com Menção Especial na competição de curtas de Cannes em 2022, e também assinou o roteiro do longa “Shambhala”, exibido na competição da Berlinale em 2024.
"Li o roteiro do Elefantes em 2022, e fiquei encantada: pungente, urgente e inesperado e quando conheci o diretor Abinash na sequência, tive ainda mais certeza de que queria coproduzi-lo. Junto com Leonardo Mecchi, grande amigo e parceiro, mergulhamos nesta aventura de filmar numa floresta no Nepal uma história que ressoa muito com o Brasil e o mundo” diz a produtora Tatiana Leite da Bubbles Project.
“Esse projeto nos conquistou de imediato, pela força da história e pela singularidade do olhar do Abinash. Ao longo do processo, construímos uma troca criativa intensa, que revela o que há de mais potente nas coproduções internacionais: a aproximação de realidades distintas que transformam não só o filme, mas também quem o realiza.
É especialmente significativo que essa trajetória tenha sido viabilizada pelo primeiro edital de coprodução do FSA, uma política pública que amplia a presença do Brasil no cinema internacional e torna possíveis encontros como este”, afirma Leonardo Mecchi, sócio-fundador da Enquadramento Produções.
Distribuído no Brasil pela Imovision, a estreia mundial do filme em Cannes posiciona ELEFANTES NA NÉVOA como um dos mais aguardados títulos deste ano, reforçando a presença brasileira no circuito internacional.
Sinopse
Em um pequeno vilarejo no Nepal, situado no coração de uma floresta habitada por elefantes selvagens, Pirati é a matriarca de uma comunidade Kinnar. Ela sonha em viver uma vida “normal” ao lado do homem por quem é apaixonada. Mas, quando uma de suas filhas desaparece, ela precisa investigar o que aconteceu e escolher entre o amor e a responsabilidade que tem com sua comunidade.
Ficha técnica
Título: Elefantes na Névoa
Direção e roteiro: Abinash Bikram Shah
Países: Nepal, Alemanha, Brasil, França, Noruega
Duração: 105 minutos
Idioma: Nepalês
Elenco: Pushpa Thing Lama, Deepika Yadav, Jasmin Bishwokarma, Aliz Ghimire
Produção: Underground Talkies Nepal, Les Valseurs, Die Gesellschaft DGS
Coprodução: Enquadramento Produções, Bubbles Project, Zischlermann Filmproduktion, Storm Films, Jayantii Creations, ZDF/Arte
Direção de fotografia: Noé Bach
Montagem: Andrew Bird, Paris Bergen
Direção de arte: Mausam Agrawal
Som: Pedro Sá Earp
SOBRE A ENQUADRAMENTO PRODUÇÕES
A Enquadramento Produções é uma produtora cinematográfica sediada em São Paulo, com quase 20 anos de atuação no desenvolvimento e produção de longas-metragens de ficção e documentário, com forte vocação para obras autorais, coproduções internacionais e diversidade de vozes e temas. Em sua filmografia destacam-se títulos como Los Silencios, de Beatriz Seigner, A Febre, de Maya Da-Rin, O Estranho, de Flora Dias e Juruna Mallon, e A Transformação de Canuto de Ariel Ortega e Ernesto de Carvalho, entre outros, selecionados e premiados em importantes festivais internacionais, como Cannes, Berlinale, Locarno, Rotterdam, Toronto, San Sebastián e IDFA.
Atualmente, a Enquadramento Produções mantém uma ampla carteira de projetos em desenvolvimento com perfil autoral e internacional e encontra-se em pós-produção dos longas Amanhã, de Leonor Noivo (coprodução com a produtora portuguesa Terratreme) e do documentário Dragões, de Miguel Antunes Ramos, realizado em parceria com o Canal Curta! e em coprodução com a Esquina Filmes. Sua mais recente produção, Elefantes na Névoa, de Abinash Bikram Shah (coprodução entre Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega), acaba de ser selecionado para o Festival de Cinema de Cannes, na mostra Un Certain Regard.
SOBRE A BUBBLES PROJECT
Criada por Tatiana Leite, a Bubbles Project é uma empresa produtora focada em filmes de novos autores e coproduções internacionais. Seu primeiro longa foi Aspirantes (2014), de Ives Rosenfeld, Melhor Filme na Carte Blanche de Locarno, três prêmios no Festival do Rio. Na sequência, produziu Pendular (2017), de Julia Murat, prêmio FIPRESCI da mostra Panorama na Berlinale; e Benzinho (2018), de Gustavo Pizzi, que abriu a World Cinema Competition do Festival de Sundance e foi premiado no Festival de Gramado e no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.
Com Argentina, Alemanha e Noruega, a Bubbles Project coproduziu Família Submersa (2018) de Maria Alché, selecionado em Locarno e San Sebastián, premiado como Melhor Filme na mostra Horizontes Latinos. Com Chile, França e Coreia do Sul, fez Nona (2019), de Camila Jose Donoso, que competiu em Rotterdam. Sua coprodução com a França, Regra 34 (2022), de Julia Murat, ganhou o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno.
Seus trabalhos mais recentes são Malu (2024), de Pedro Freire, que estreou em Sundance e recebeu 5 prêmios no Festival do Rio, incluindo Melhor Filme; A Herança (2024), de João Cândido Zacharias (com a Sony Pictures e a Kromaki Filmes); e a produção associada Retrato de um Certo Oriente (2024), de Marcelo Gomes, que estreou em Rotterdam. Outro destaque é Puan (2023), de Maria Alché e Benjamin Naishtat, parceria com Argentina, França, Itália e Alemanha; Melhor Roteiro e Melhor Ator em San Sebastián
Seu próximo lançamento nos cinemas este ano é a coprodução O Riso e a Faca, premiado em Cannes em 2025. Em pós produção, a Bubbles tem Oceânico, de Guilherme Coelho, e Elefantes na Névoa, de Abinash Bikram Shah, que acaba de ser selecionado para o Festival de Cannes 2026. Está desenvolvendo os longas Selvajaria, de Miguel Gomes (com Portugal e França); Dora & Vera, de Pedro Freire; Meninos Banhando-se no Lago, de Michael Labarca (com Venezuela, França, Chile e Alemanha); Princesa, de Karine Teles (com a Filmes de Plástico); Porco Espinho, de Eva Randolph; Debaixo do Imbondeiro, de Valentina Homem; Os Setes Loucos, de Benjamin Naishtat; e Te Amo e Hoje Tudo É Belo, de Maria Alché.

