Inspirado no crime que chocou a Coreia do Sul, o filme acompanha uma jovem tentando reconstruir a vida e reflete sobre o silêncio e a impunidade
Inspirado em um trágico crime real, o longa-metragem sul-coreano Han Gong-ju (2013) estreia na próxima sexta-feira (15) na FILMICCA.
Dirigido por
Lee Su-jin, o filme é protagonizado por
Chun Woo-hee e aborda as consequências devastadoras de um caso de abuso e a impunidade que o cerca. Baseado em um caso ocorrido em 2004, na cidade de
Miryang, a produção acompanha a jovem
Gong-ju (Chun Woo-hee), obrigada a mudar de escola após ser vítima de um incidente traumático. Desamparada pelos pais, ela é acolhida na casa da mãe de seu antigo professor.
O passado demora a alcançá-la, mas quando isso acontece, a revelação é devastadora. Através da grande atuação de Chun Woo-hee, que interpreta Gong-ju como uma jovem resiliente, esperançosa e talentosa, Han Gong-ju expõe, com delicadeza, as marcas profundas deixadas pelo trauma.
Mais do que retratar o abuso em si, o filme dirige o olhar para o que vem depois: o silêncio imposto à vítima, a culpabilização social, o abandono e a omissão de quem deveria proteger.
Lee Su-jin estrutura a narrativa por meio de flashbacks não lineares que entrelaçam o horror do passado com o distanciamento do presente, sem recorrer ao sensacionalismo, concentrando a história na protagonista e não nos eventos em si. O resultado é um retrato honesto e perturbador de como a sociedade trata aquelas que sobrevivem.
Desde então, acumulou oito prêmios em festivais internacionais, incluindo Rotterdam, Deauville e Fribourg. Sua estreia internacional aconteceu no Festival de Marrakech, onde ganhou o primeiro prêmio do júri internacional, presidido por Martin Scorsese.
Miryang, 2004: O revoltante caso real que inspirou Han Gong-ju
Em 2004, na cidade de Miryang, na Coreia do Sul, dezenas de estudantes do ensino médio agrediram sexualmente um grupo de garotas ao longo de meses. O caso chocou o país não apenas pela brutalidade dos crimes, mas pela resposta das instituições: as vítimas foram culpabilizadas, pressionadas e, em muitos casos, forçadas a abandonar a escola.
Os agressores, por sua vez, receberam penas brandas. É a partir desse silêncio ensurdecedor que Lee Su-jin concebeu Han Gong-ju, não como uma reconstituição do caso, mas como um alerta sobre uma ferida ainda aberta na sociedade sul-coreana.
Roteirizado e produzido pelo diretor Lee Su-jin, a obra conta ainda com Jung In-sun, Kim So-young e Lee Young-lan em seu elenco.
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