A participação de Fernanda Brum no Sem Censura, da TV Brasil, chamou a atenção do público pela forma equilibrada com que a cantora enfrentou um debate sensível sobre religião, preconceito e convivência entre diferentes crenças.
Em um ambiente de questionamentos incisivos, a artista demonstrou tranquilidade, clareza de pensamento e firmeza em seus princípios, sem perder o tom respeitoso em nenhum momento.
A conversa ganhou intensidade quando a jornalista Fabiane Pereira trouxe à tona a discussão sobre o uso da religião como instrumento de julgamento e exclusão. Antes de formular sua pergunta, ela fez uma reflexão sobre os ensinamentos de Cristo.
"Jesus era um grande negociador, ele ouvia todos os lados, não julgava o próximo. Um dos mandamentos mais importantes de Jesus é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", começou ela.
Na sequência, Fabiane Pereira questionou a Cantora:
"A gente vive em um mundo e em um país em que a fé, muitas vezes, é usada para julgar, para diminuir o outro. Eu queria saber de você: quando isso acontece, onde os ensinamentos de Jesus se perdem?"
Com segurança e sem demonstrar qualquer desconforto, Fernanda respondeu destacando que atitudes de intolerância não pertencem exclusivamente a uma única religião.
"Isso acontece em todas as religiões. Porque, do jeito que você está perguntando, parece que é só desse lado. Mas a gente também sofre de outro lado. O importante é amar e perdoar. Você não pode andar com Jesus se você não ama e não perdoa."
A resposta levou Cissa Guimarães a fazer uma nova indagação.
"Perdoar o quê?"
Mantendo o mesmo tom sereno, Fernanda explicou:
"Perdoar o que te ofendeu e perdoar o outro que te ofendeu em alguma área. Ninguém é obrigado a ser 100% o que o outro espera."
O momento mais marcante da entrevista foi quando Cissa decidiu levar a discussão para um outro contexto e perguntou para Fernanda:
"Você teria uma amiga, suponhamos, eu. Fui criada no catolicismo, mas sou uma pessoa eclética, ecumênica. Sou filha de Oxum, filha de Iansã, eu adoro minha Nossa Senhora, acho Jesus o cara mais incrível do mundo, gosto muito de Buda. Quero saber se você teria uma amiga como eu, que diria 'axé' para você."
Em vez de responder com um discurso elaborado, Fernanda optou por uma atitude simples e espontânea que resumiu sua posição. Segurando a mão da apresentadora, perguntou:
"Quer ser minha amiga?"
"Claro!", respondeu Cissa.
"Quer meu WhatsApp?", insistiu a cantora.
Foi neste momento que a Apresentadora transforma a entrevista em uma armadilha colocando palavras na boca da cantora convidada! mas Fernada permaneceu impecável!
Cissa sem motivo algum declara "Não, só quero você que me respeite, que a gente tenha tolerância uma com a outra."
Sem hesitar e permanecendo fiel à sua fé, Fernanda soube driblar com excelência:
"veja como estamaos frente a frente, se olhando nos olhos com respeito! Desejo Que Jesus te cubra com o sangue dele. Porque é nisso que creio e vc pode concordar ou discordar comigo"
Cissa, em tom leve, retrucou:
"Ou Buda! Te peço que Buda reze por você."
Na sequência, Fernanda reforçou que a convivência com pessoas de outras crenças faz parte de sua realidade há muitos anos.
"Tem uma amiga catolicíssima" e um lado da família que é espírita.
Ao mesmo tempo, destacou que respeito não significa renunciar às próprias convicções para agradar alguém.
"Mas eu não mudo por causa disso, não vou fazer um tipo para você para te agradar. Você vai me amar eu sendo crente mesmo."
Ao longo de toda a entrevista, Fernanda Brum demonstrou uma combinação rara de firmeza e gentileza. Sem elevar o tom, sem atacar quem pensa diferente e sem relativizar suas crenças, a cantora respondeu a cada questionamento com calma e convicção. Sua postura transmitiu a imagem de alguém que conhece profundamente aquilo em que acredita e que não vê contradição entre defender sua fé e tratar o próximo com respeito.
O debate foi encerrado com a artista falando sobre seu trabalho como embaixadora de um ministério voltado ao acolhimento de cristãos perseguidos ao redor do mundo. Ao final, ficou evidente que, mais do que responder perguntas difíceis, Fernanda Brum transformou uma entrevista potencialmente conflituosa em uma oportunidade para demonstrar maturidade, equilíbrio e sabedoria diante das diferenças.



